Nossa história

A Recomeçar nasceu do sonho de Joana Jeker, diagnosticada com câncer de mama aos 30 anos de idade, em junho de 2007. Joana fez todo o tratamento na Rede Pública de Saúde e aguardou 2 anos até fazer a primeira cirurgia de reconstrução da mama no Hran – Hospital Regional da Asa Norte, hospital que é responsável por cerca de 90% das cirurgias de reconstrução da mama pelo SUS em Brasília/DF, sua cidade natal.
Em dezembro de 2009, Joana quase teve a segunda cirurgia de reconstrução da mama cancelada por falta de dreno. Ela foi até a direção do Hospital, exigiu seus direitos e foi operada. Pouco tempo depois, o cirurgião plástico Dr. Edmilson Lucio da Silva, responsável pela reconstrução da mama de Joana, parou de realizar cirurgias eletivas de reconstrução da mama no Hran em virtude do frequente déficit de pessoal e material necessários à execução de uma cirurgia. As cirurgias eram constantemente canceladas por falta de médico auxiliar, anestesista e materiais básicos como drenos e fios de sutura, o que prejudicava o desempenho do trabalho do Dr. Edmilson.
Diante do descaso com as pacientes mutiladas, Joana tomou uma atitude. Fez uma pesquisa sobre os direitos da mulher mastectomizada, e em fevereiro de 2010, elaborou um abaixo-assinado solicitando a ampliação da oferta de cirurgias de reconstrução da mama no Hran. Durante cerca de 3 meses, recolheu 123 assinaturas, a maioria de mulheres mastectomizadas que desejavam reconstruir a mama e recomeçar a vida após o câncer. Joana levou o abaixo-assinado na direção do Hran, na ouvidoria da Secretaria de Saúde, na ouvidoria do Ministério da Saúde e no Ministério Público.
Meses se passaram e nada aconteceu. Sem ter suas solicitações contidas no abaixo-assinado atendidas, Joana organizou uma manifestação em frente ao Hran. Chamou a mídia e as pacientes. A TV Globo, o Correio Braziliense e algumas pacientes compareceram. O manifesto foi capa do jornal Correio Braziliense do dia 21/12/2012 e foi matéria do telejornal Bom Dia DF do mesmo dia. Após esse manifesto, fomos procuradas por membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que decidiram organizar, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, o primeiro mutirão de cirurgia de Reconstrução da Mama do DF, ocorrido em 30/03/2011, com 61 mulheres operadas. Após esse mutirão, houve mais dois mutirões. Os três mutirões de cirurgias de reconstrução da mama contemplaram ao todo 165 mulheres, que finalmente conseguiram ser operadas pela Rede Pública de Saúde do DF.
Durante a pesquisa que fez para o abaixo-assinado, Joana verificou a necessidade de uma Lei Distrital e decreto que regulamentassem a oferta cirurgias de reconstrução da mama pelo SUS no DF. Então, no início de 2011, Joana procurou diversos parlamentares solicitando a criação tal lei. A Deputada Distrital Eliana Pedrosa atendeu ao pedido, o que incluía a obrigatoriedade do fornecimento da pigmentação (tatuagem) da aréola e do bico, uma técnica menos invasiva, bastante utilizada como procedimento final da reconstrução mamária, e que atualmente não é coberta pelo SUS. A sanção do Projeto de Lei 273/11 ocorreu em 16 de Fevereiro de 2012 através da Lei Distrital 4.761/12 – que dispõe sobre a obrigatoriedade da Cirurgia Plástica Reparadora da mama nos casos de mutilação decorrentes de tratamento de câncer.
Joana se envolveu de tal forma, que em agosto de 2011 fundou a Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, uma associação para ajudar as mulheres a terem a mama e a vida reconstruídas. Desde o início, o seu trabalho foca-se em garantir o direito da reconstrução mamária pelo Sistema Único de Saúde – SUS, direito este assegurado pela Lei Federal nº 9797, de 6 de maio de 1999.

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